A inauguração acontece a 9 de maio, na Quinta Alegre, e reúne fotografia, conversa e convívio numa noite que promete ser uma celebração da cultura guineense.
Nascida em 2006, em Quinhamel, na Guiné-Bissau, Abigail Indi tem apenas dezoito anos e já carrega nas mãos a maturidade de quem sabe que a imagem não mente. A jovem fotógrafa apresenta, em Lisboa, a sua primeira exposição: Lembransas di Ña Mininesa .
As nuances da mulher guineense, uma obra que nasce da memória, da identidade e da saudade de uma infância guardada entre luz e cor.
A inauguração está marcada para o dia 9 de maio, na Quinta Alegre (Campo das Amoreiras, 94, Lisboa), e a exposição permanece aberta ao público até 31 de maio. A iniciativa conta com o apoio do projeto Um Teatro em Cada Bairro e é apresentada pela companhia Midu Nobu.
Uma cor que não esquece
Lembransas di Ña Mininesa em português, Lembranças da Minha Menina — é mais do que um conjunto de fotografias. É uma interrogação sobre o que a memória guarda, o que distorce e o que inventa. Na sinopse da exposição, a própria autora escreve: “As nuances da mulher guineense. Memórias desfocadas, incertezas e inverdades! Mas e a cor azul? Ela ainda flui dentro de mim como se tivesse sido ontem.”
O azul é o fio condutor desta obra — um guia espiritual, como a artista o descreve: livre e autónomo, que fala quando quer e mostra o que entende ser real. Através da fotografia, Abigail explora o limiar entre memória e imaginação, identidade e pertencimento, num trabalho que coloca no centro da conversa a mulher guineense a sua força, a sua complexidade e as suas nuances.
Uma artista em formação que já tem voz própria
O percurso de Abigail Indi desenvolveu-se na Escola Secundária Artística António Arroio, em Lisboa, onde frequentou o curso de Comunicação Audiovisual, com especialização em Fotografia. O contacto com a serigrafia, a cerâmica, o design de produto e as artes gráficas enriqueceu o seu olhar e alargou a sua linguagem visual.
O seu trabalho caracteriza-se pela observação sensível do quotidiano os detalhes, os gestos e as atmosferas que passam despercebidos. Cada imagem é, ao mesmo tempo, um ato de descoberta e uma afirmação: a de uma jovem artista que encontrou na fotografia o espaço onde se expressa e dialoga com o mundo.
Uma noite guineense em Lisboa
A inauguração de 9 de maio promete ser um momento de encontro e de partilha. O programa inclui:
* 16h00 — Visita guiada com a autora
* 17h00 — Conversa “As nuances da mulher guineense”, com Orálio Mendes Katchunkuró, Adalmira Silva, Ivone Natércia e Lili, com moderação de Ângela Almeida
* 18h00 — Convívio com pratos e bebidas típicas da Guiné-Bissau
Uma exposição, uma conversa, uma mesa. É assim que a cultura guineense se faz presente em Lisboa — com arte, palavras e sabor.
A exposição pode ser visitada até 31 de maio, na Quinta Alegre, Campo das Amoreiras, 94, Lisboa. Consulte os horários de visita junto do espaço.
Colóquio sobre o Legado Cultural e Político de Mário Pinto de Andrade
Mário Pinto de Andrade foi uma das principais figuras das lutas pelas independências dos países africanos colonizados por Portugal. Com um percurso político e cultural notável, marcado por um compromisso revolucionário pan-africano que ultrapassava as fronteiras de Angola, país em que nasceu, publicou obras seminais sobre a cultura, a literatura e a história política da época de que foi um dos principais protagonistas.
A articulação entre luta política e criação cultural é central na sua obra. Como escreveu, em 1966, “No clamor das armas que, nos nossos dias, rasgam a secular noite colonial, jovens poetas militam no próprio coração das matas. Realizam a necessária síntese entre o engajamento político e a necessidade inelutável de dizer o verdadeiro, o justo, o belo.”
Deste modo, antecedendo a celebração do centenário do nascimento desta figura maior da “Geração de Cabral”, a Casa da Cultura da Guiné-Bissau (CCGB), a Associação de Amigos de Mário Pinto de Andrade e Sarah Maldoror, o Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral (CIDAC), a Fundação Bienal MoAC Biss e o Centro de Estudos Internacionais-ISCTE unem-se para coorganizar um Colóquio de evocação do seu legado cultural e político, no espírito da intersecção entre cultura e política que sempre defendeu.
DETALHES IMPORTANTES:
Evento: Colóquio sobre o Legado Cultural e Político de Mário Pinto de Andrade
Objectivo Geral: proporcionar um espaço de reflexão em torno do legado cultural e político de Mário Pinto de Andrade, através de releituras das suas obras e de análises críticas do seu percurso enquanto militante revolucionário, com papel determinante no combate ao colonialismo português em África.
Datas: 25, 28, 29 e 30 de Maio de 2026
Locais: Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral (CIDAC), Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) e MBONGI 67 (Lisboa, Portugal)
Conferência de abertura: Jean-Michel Mabeko Tali (Universidade de Howard, Estados Unidos da América) | Conferência de encerramento: Inocência Mata (Faculdade de Letras e Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa)
Apoios: Maison des Mondes Africains, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Mbongi 67
A Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea, no Porto, acolheu no passado dia 15 de janeiro a inauguração de Meteorizações, a primeira exposição antológica da artista portuguesa Filipa César apresentada em Portugal.
A exposição reúne uma ampla seleção de filmes, objetos e documentos, resultante de “mais de quinze anos de investigação, produção artística e colaborações” com artistas de diversos países. Este conjunto de obras evoca acontecimentos históricos marcantes, como a desobediência antifascista portuguesa e a resistência anticolonial na Guiné-Bissau e em Cabo Verde, bem como outras lutas de libertação no continente africano.

Meteorizações explora “arquivos audiovisuais do período das lutas de libertação, reflexões sobre o mangal, políticas da ótica e da tecelagem e o pensamento agropoético de Amílcar Cabral”, figura central na história das nacionalidades guineense e cabo-verdiana.
A inauguração contou com a presença de um vasto e entusiasta público ligado à arte e à arquitetura. O momento foi enriquecido por uma conversa-musical com animação de Edvânia Moreno, artista e compositora cabo-verdiana, e dos artistas guineenses Marinho Pina e Demba Djabaté, convocando memórias, histórias de resistência e reflexões sobre a atualidade.
A Casa da Cultura da Guiné-Bissau manifesta o seu entusiasmo e felicita Filipa César e todos os artistas colaboradores por esta profunda e generosa investigação sobre uma memória coletiva, agora partilhada com o público num gesto de solidariedade para com as lutas e histórias dos povos guineenses, cabo-verdianos, portugueses e do mundo.
Com curadoria de Inês Grosso, do Museu de Serralves, e de Paula Nascimento, arquiteta e curadora angolana, a exposição estará patente em Serralves até 31 de maio.
Fica o convite a todos os entusiastas da arte contemporânea para visitarem esta exposição incontornável.
A Direção-Geral das Artes (DGARTES) e a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI) divulgaram no passado dia 3 de outubro os resultados da iniciativa Laçzos Artísticos, um programa de bolsas de intercâmbio e aperfeiçoamento artístico que visa o fomento da mobilidade internacional de artistas nos espaços Ibero-Americano e dos países da CPLP.
São atribuídas 11 bolsas, com um montante financeiro global de 24.750 €, que envolverão 10 países (7 do espaço Ibero-Americano e 3 países africanos de língua portuguesa) e 6 áreas artísticas, resultado que reflete a diversidade dos projetos de circulação e de intercâmbio.
Poderão consultar a lista aqui.
Mais informação disponível no website da OEI.
A cidade da Praia, em Cabo Verde, será palco, de 16 a 18 de outubro, da 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa (EELP), que este ano se realiza sob o tema “Independência, Literatura, Inteligência Artificial”. O evento é organizado pela UCCLA em conjunto com a Câmara Municipal da Praia.
A abertura oficial contará com a intervenção do Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, e o encerramento do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga.
O encontro reunirá escritores, investigadores, editores, professores, críticos literários e leitores de vários países e regiões do espaço lusófono, promovendo o diálogo em torno do tema em análise. O programa coloca a Inteligência Artificial no centro das questões que hoje atravessam a criação literária e o futuro do livro.
Nesta edição estará, também, em foco o V centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões, num ano em que se assinala o cinquentenário das independências em vários países lusófonos.
Escritores confirmados:
Angola: Israel Campos;
Brasil: Ozias Filho;
Cabo Verde: Adolfo Lopes, Arménio Vieira (texto), Dina Salústio, Germano Almeida, Hélio Varela (vídeo), Manuel Pereira Silva, Nardi Sousa, Paulo Veríssimo, Princezito e Sérgio Raimundo;
Galiza: Teresa Moure Pereiro;
Guiné-Bissau: Emílio Tavares Lima;
Macau/China: Joaquim Ng Pereira;
Moçambique: Sérgio Raimundo;
Portugal: Hélia Correia, Isabel Castro Henriques (vídeo), João de Sousa (editora A Bela e o Monstro - edição comentada Os Lusíadas), Manuel Alegre (texto) e Ricardo Araújo Pereira;
São Tomé e Príncipe: Alice Goretti Pina;
Angola/Portugal: Cláudio Silva - Vencedor do Prémio de Revelação Literária.
Folheto da 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa - https://www.uccla.pt/sites/
Na cerimónia realizada ontem, 3 de dezembro, no Palácio Real de Amsterdão, o cineasta guineense Sana Na N'Hada foi agraciado com o Prémio Prince Claus Impact 2024, uma das maiores honrarias destinadas a agentes de mudança com impacto cultural e social nas suas comunidades. O evento contou com a presença de Sua Alteza Real, o Príncipe Constantijn, o presidente do júri Pablo León de la Barra, e o diretor executivo do Prince Claus Fund, Marcus Desando.
Reconhecido pela sua longa e influente carreira no cinema, Sana Na N'Hada destacou-se por narrar as lutas históricas e sociais da Guiné-Bissau. Desde os anos 1970, a sua filmografia tem sido um marco para a preservação da memória coletiva e a construção de um cinema comprometido com a justiça social e a identidade cultural do país.

Formado em cinema em Cuba, Sana foi pioneiro na fundação do Instituto Nacional de Cinema (INCA) da Guiné-Bissau em 1972. Durante a guerra pela independência, integrou o exército revolucionário de Amílcar Cabral e começou a documentar as transformações vividas pelo país. Ao longo de mais de quatro décadas, os seus filmes evocativos, como O Regresso de Amílcar Cabral (1976), Xime (1994) e Nome (2023), destacaram-se por capturar e desafiar o clima cultural, intelectual, moral e político do contexto guineense.
Sana também é cofundador da Mediateca Onshore, criada em colaboração com a artista portuguesa Filipa César, o artista guineense Marinho de Pina, o cineasta Suleimane Biai, entre outros. Este centro cultural, localizado em Malafo, na Guiné-Bissau, preserva a história do cinema militante do país, promovendo a justiça social, económica e ambiental.
O Prémio Prince Claus Impact 2024 consolida Sana Na N'Hada como uma referência global na interseção entre arte, memória e transformação social, destacando o papel crucial do cinema na construção de novas narrativas e no fortalecimento cultural.
Parabéns, Sana Na N'Hada, pela sua extraordinária contribuição ao cinema e à história da Guiné-Bissau!
A Equipa da CCGB
O filme "Espiral em Ressonância", realizado por Filipa César e Marinho de Pina, foi o grande vencedor do Prémio Cinema Falado, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, na 11.ª edição do festival Porto/Post/Doc. A cerimónia de entrega de prémios decorreu no Batalha Centro de Cinema, na tarde deste sábado (30/11), e marcou o encerramento oficial do evento.
Dedicado a obras que exploram temáticas relacionadas com a diáspora portuguesa, o prémio foi atribuído por um júri composto por Ana Cristina Pereira, Catherine Bizern e Juliette Canon. Os jurados destacaram o filme pela sua capacidade de estabelecer “uma ponte entre um período de fervor militante e o presente”, bem como pelo mérito de “promover a partilha e a transmissão de conhecimento”.

"Espiral em Ressonância" teve a sua estreia mundial no Festival de Berlim e foi também exibido no Doclisboa, antes de alcançar sucesso junto ao público e crítica no Porto/Post/Doc. A longa-metragem regista a criação da Mediateca Onshore na aldeia guineense de Malafo, um centro cultural comunitário que preserva e celebra a memória das lutas pela independência da Guiné-Bissau.
O filme distingue-se pelo modo sensível e reflexivo como articula história, memória e contemporaneidade, sublinhando o papel da cultura como instrumento de resistência e transformação social. Mais do que uma obra cinematográfica, "Espiral em Ressonância" é um testemunho vibrante da importância da memória coletiva e da transmissão intergeracional de conhecimentos.
Ao galardoar esta obra, o Porto/Post/Doc reafirma o seu compromisso em reconhecer e valorizar filmes que transcendem barreiras geográficas e culturais, promovendo o cinema como uma ferramenta de impacto social e comunitário.
No dia 25 de novembro, a Fundação MoAC Biss – Mostra de Arte e Cultura da Guiné-Bissau –, dedicada à promoção das artes plásticas, performativas, cénicas, literatura, dança, música e políticas culturais da Guiné-Bissau, lançou oficialmente o seu website (https://bienalmoacbiss.org) numa emissão especial transmitida pela RDP África.
O evento contou com a presença dos membros fundadores como o sociólogo e ativista Miguel de Barros, a curadora e professora Zaida Pereira, o ator e cineasta Welket Bungué, o sociólogo António Spencer Embaló e o artista visual Nú Barreto, que participaram de uma conversa moderada por Nuno Sardinha. Apesar da ausência física da cantora Karyna Gomes e do sociólogo Mamadu Alimo Djalo, ambos também fundadores, estes expressaram total apoio ao lançamento e destacaram a relevância da iniciativa para a promoção da arte guineense.

Um Marco para a Cultura Guineense
O lançamento do site marca um passo decisivo na missão da Fundação MoAC Biss de conectar artistas guineenses e divulgar a riqueza cultural e artística do país para uma audiência global. Durante a emissão, foi destacada a Bienal MoAC Biss, um dos principais projetos da Fundação, que se consolida como uma plataforma para a exposição de obras de artistas emergentes e estabelecidos, fomentando também debates sobre arte, memória e identidade no contexto guineense.
Debate: Desafios e Perspetivas
No painel, foram abordados temas cruciais como os desafios enfrentados pelos artistas guineenses na diáspora, o papel transformador da arte e as perspetivas futuras para a Bienal. O artista Nú Barreto enfatizou a importância de iniciativas como a MoAC Biss para criar redes de apoio e colaboração entre criadores, enquanto Miguel de Barros destacou o potencial da arte como ferramenta de resistência e diálogo intercultural.

Um Espaço Digital para a Cultura
O novo site da Fundação oferece uma plataforma interativa para divulgar as suas iniciativas, apresentar trabalhos de artistas participantes e envolver a comunidade global em conversas sobre cultura e arte guineenses. Além disso, o portal reúne informações sobre exposições, debates e eventos futuros, consolidando-se como um canal essencial para a promoção e o intercâmbio cultural.
Compromisso com o Futuro da Cultura Guineense
Com esta iniciativa, a Fundação MoAC Biss reafirma o seu compromisso em valorizar o património cultural da Guiné-Bissau, fortalecendo as pontes entre as comunidades locais e internacionais e garantindo a maior visibilidade ao país no cenário artístico global.
Descubra mais sobre o projeto no site oficial: https://bienalmoacbiss.org.
A Equipa da CCGB
Na sexta-feira, 22 de novembro, o Centro Cultural Franco-Bissau-Guineense (CCFBG) foi palco de uma importante celebração cultural: a exibição de excertos do documentário "Sou Um Simples Africano", em celebração dos 100 anos do nascimento de Amílcar Cabral. O filme, ainda em fase de montagem, é uma obra conjunta de Flora Gomes, Sana N’Hada e Suleimane Biai – três dos mais destacados cineastas guineenses e figuras centrais no registro histórico da Luta pela Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde.
O documentário lança um olhar profundo sobre a figura de Amílcar Cabral, destacando a forma como o líder preparou e liderou a luta pela independência, não apenas contribuindo para a libertação dos povos da Guiné-Bissau e Cabo Verde, mas também influenciando a queda da ditadura em Portugal. Os realizadores, que viveram e testemunharam a luta de libertação, trazem à tona um relato íntimo e poderoso da história, reavivando a memória de um dos mais importantes líderes do século XX.

A sessão, realizada no anfiteatro do CCFBG, contou com a presença de uma audiência entusiasta, incluindo amantes de cinema, familiares, amigos e admiradores de Cabral. O público, profundamente emocionado, participou ativamente no final da exibição, com intervenções que incluíram sugestões, palavras de gratidão e encorajamento aos realizadores.
Este documentário promete ser um marco para a preservação da memória coletiva e um tributo inestimável ao legado cultural, político e histórico de Amílcar Cabral. Uma obra que engrandece a história do cinema e reforça a importância da identidade cultural guineense.
A Equipa da CCGB
Teve início na última Sexta-feira, dia 1 de novembro de 2024, a segunda edição do Festival Bienal Afro-Portugal em Coimbra, com uma programação rica e diversificada. O festival, realizado de dois em dois anos, destaca artistas africanos/as e afrodescendentes, abrangendo várias expressões artísticas como teatro, música, literatura, cinema, performance, artes visuais, artes sonoras e digitais. Além disso, inclui uma feira do livro, sessões para a infância e atividades formativas para escolas, ensino superior e pós-graduado.

Durante 15 dias, diversos espaços culturais e académicos de Coimbra serão palco de eventos que integram esta programação multidisciplinar. O dia de abertura do festival contou com o debate “As Identidades são um Banquete Móvel”, realizado no Café do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV). Este debate, focado na questão da “identidade na pós-modernidade”, foi moderado por Paula Machava, doutoranda na Universidade de Coimbra, e contou com as participações de Xullaji (músico), Yara Nakahanda Monteiro (escritora), Madalena Bindzi e Maria Lobo (mestrandas na Universidade de Coimbra).
Ainda no primeiro dia, foi inaugurada a exposição de artes visuais “Novos Territórios”, na Casa da Esquina, animada pelo DJ 808xez, e foi apresentada a instalação itinerante “Varal Digital Itinerante – Poemas de Yara Nakahanda Monteiro”, que estará em exibição até 15 de novembro.

Para o segundo dia do festival, destacaram-se a sessão “Inventando Griots” — uma oficina e sessão de histórias com o Coletivo Cont(estas)tórias, liderada por Cláudia Rocha e Marinho Pina — e a conversa com escritores “Inventando Mundos”, moderada por Doris Wiser, docente da Universidade de Coimbra, com a participação de Yara Nakahanda Monteiro, Telma Tvon e Amadu Dafé. O dia encerra com o espetáculo musical “Kanhon di Boka”, com o artista Prétu, no Teatro da Cerca de São Bernardo.
O festival segue com sessões de cinema, teatro, palestras, performances, colóquios, debates e exposições, culminando numa feira do livro, (consultar aqui). As artes e a literatura guineenses estão representadas no evento através das participações do escritor Amadu Dafé; do artista plástico Helénio Mendes, que participa numa exposição coletiva de artes visuais, além de dirigir uma oficina de grafitti; do performer e escritor Marinho Pina e do djidiu Demba Djabate. No cinema de temática guineense, os destaques vão para as exibições de “Skola di Tarafe”, de Filipa César e Sónia Vaz Borges, e “Fogo no Lodo”, de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca.
A primeira edição do Festival Afro-Portugal, em novembro de 2022, intitulada “Contas de Torna-Viagem”, refletiu sobre a memória colonial portuguesa, o racismo e a visibilidade das artes negras. Na edição atual, o foco está na exploração das complexidades dos movimentos de memória e na circulação de identidades, e na imaginação de futuros através das artes negras e aborda temas como anegritude e afrodescendência.

O Festival Afro-Portugal é coproduzido pelo Teatro da Cerca de São Bernardo/Escola da Noite e pelo Teatro Académico de Gil Vicente, com curadoria de Catarina Martins (investigadora e docente na Universidade de Coimbra), Hamilton Francisco (Babu) (artista plástico angolano), Madalena Bindzi (estudante de História da Arte), Marinho Pina (arquiteto e performer guineense) e Yara Nakahanda Monteiro (escritora angolana). O evento conta com o apoio de diversas instituições, incluindo a Cena Lusófona, Casa da Esquina, Casa da Cultura da Guiné-Bissau, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Centro de Arqueologia e Artes da Universidade de Coimbra.
A Equipa da CCGB